Hérida é empreendedora e vende roupas em lives que são cada vez mais populares
Em um dia
comum de muito calor, Hérida trabalhava como recepcionista em um hotel e, sem o
menor conhecimento do que se tornaria, seu futuro marido estava viajando a
trabalho e ficando no hotel onde era empregada. Nada aconteceu, até um ano
depois, quando se reencontraram. Hérida já não trabalhava no hotel e ele era
empreendedor. Seu filho, Kaue, nasceu no ano seguinte, mas nem tudo eram
flores. Ela teve depressão pós-parto e não sabia como se reencontrar. Sempre
trabalhou com carteira assinada e tudo que sabia era a segurança que um emprego
no regime CLT proporciona.
Hérida
nunca sonhou em ser dona do próprio negócio, mas seu marido acreditava nela.
Seu primeiro empreendimento se chamava ‘Flor da Amazônia', uma loja de biquínis
que não teve muito sucesso. Tentou, então, uma tendência do mercado da moda, os
Bucket Hats, chapéu de pescador ou muito conhecido como chapéu do Seu Madruga.
Ela vendia para atacado e em um mês faturou 15 mil reais.
“Aquilo
para mim foi extraordinário, porque eu, que era uma funcionária ganhando um
salário mínimo por mês e em 30 dias ganhar uma quantia enorme, foi
deslumbrante. Eu lembro que eu dizia para mim mesma: ‘Não é fácil, mas eu quero
isso para minha vida’. Eu coloquei minha fé em Deus e segui em frente para
realizar meus sonhos,” relata Hérida.
Hérida
fez seu marketing e networking, participou de feiras, colocou seus produtos em
brechós e insistiu no seu negócio. Então veio a pandemia. Isolada com sua
família em um apartamento, o desejo de mudar do Pará para Curitiba era intenso
e se tornou realidade. Sua sogra vendeu a Hérida um lote de roupas a $100, onde
ela faturou $800. Realizou isso por meio de outra empreendedora que fazia lives
do Instagram vendendo roupas por uma porcentagem das vendas. Os olhos de Hérida
brilharam, pois mesmo com os custos, ela acabou lucrando $500. “Quem faz $500
em um dia? Com certeza não eu que ficava atrás de uma mesa atendendo clientes o
dia todo. Foi mágico”, conta ela.
Hérida,
então, começou seu novo negócio. Garimpou e buscou peças que pudessem ser
atraentes para quem assistisse suas lives. Sua ficha caiu quando, em um grupo,
uma mulher, que simpatizou com sua situação e anunciou que possuía cinco caixas
de roupas para ela vender. Naquele momento ela ainda pagava uma porcentagem
para outra pessoa vender as roupas na live.
Mais
estabelecida no mundo de empreendedora, Hérida é convidada por uma instituição
para fazer parte de uma live beneficente. Hérida esperava vender $300, mas
vendeu $2000. Isso a impulsionou a aprender a fazer as próprias lives, onde
outras pessoas enviavam os objetos para ela vender.
Seu nome
começou a ganhar notoriedade, e hoje o Desapega com Hérida dá prioridade para
lives de desapego para pessoas que estão de mudanças e precisam deixar tudo
para trás ou um familiar que faleceu e é necessário se desfazer das roupas.
Para retribuir as gentilezas que recebeu, Hérida também faz lives beneficentes
para ajudar ONGs e instituições.
As
mulheres perceberam há muito tempo que podem ser donas do próprio negócio,
garantindo seu crescimento econômico. Quase metade das empresas abertas desde
2020 no Estado do Paraná são tocadas por mulheres. De acordo com dados da Junta
Comercial do Paraná, em 2023, mais de 20 mil mulheres iniciaram um
empreendimento e Hérida é uma delas.


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