ARTIMANHA PERIGOSA: SPRAY ANTI-RADAR, A NOVA APOSTA ILEGAL PARA BURLAR MULTAS NO TRÂNSITO

 

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Produto importado, vendido a cerca de R$ 100, promete "invisibilidade" a câmeras e radares, mas sua utilização configura infração gravíssima e pode levar à prisão.


Da redação

     Na guerra cotidiana entre motoristas infratores e a fiscalização de trânsito, uma nova "arma" tecnológica tem ganhado espaço nas rodovias e ruas do Brasil: o chamado spray anti-radar. O produto, um verniz aplicado diretamente sobre a placa do veículo, promete burlar os sistemas de monitoramento eletrônico de velocidade e semáforos, mas especialistas alertam: a prática é ilegal, perigosa e pode resultar em consequências severas, inclusive criminais.

Como Funciona a "Mágica" Perigosa
O princípio é simples e conhecido na física: o spray cria uma camada altamente reflexiva sobre a placa. Quando o radar ou a câmera de monitoramento emite seu flash para capturar a imagem, a luz é refletida com intensidade, causando um superbrilho (efeito lens flare) que torna os números e letras da placa completamente ilegíveis na foto final. Vídeos de demonstração, amplamente divulgados em redes sociais e provenientes principalmente dos Estados Unidos, mostram a placa ficando completamente embaralhada nas imagens com flash, em qualquer ângulo.

A oferta e a tentação
No Brasil, o produto já é comercializado por sites e marketplaces como um item importado, com preços girando em torno de R$ 100. A venda é justificada como "verniz protetor" ou "revestimento", mas seu marketing clandestino enfatiza a capacidade de "proteger contra multas". A prática se junta a outras já conhecidas pelas autoridades, como cobrir a placa com a mão (comum entre motociclistas) e o uso de dispositivos mecânicos que escurecem ou viram as placas.

As Consequências: Muito Além dos Pontos na CNH
Apesar da aparente eficácia técnica, as consequências legais para quem recorre ao spray são duríssimas. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro: ocultar ou adulterar a placa de identificação do veículo é uma infração gravíssima, sujeita a multa de R$ 293,47 e 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O risco, porém, não para aí. A legislação penal é ainda mais rigorosa. O artigo 311 do Código Penal prevê pena de reclusão de três a seis anos para quem "adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor". A jurisprudência e a doutrina entendem que a placa é, sim, um "sinal identificador", o que enquadra o uso do spray como crime, sujeito a processo criminal e possibilidade de prisão.

Alerta das Autoridades e Especialistas
Especialistas em trânsito e segurança veicular condenam veementemente o uso do artifício. É uma atitude de alto risco social. A placa é a identidade do veículo. Sem ela, um carro envolvido em um acidente grave ou em um crime pode simplesmente sumir, prejudicando investigações e a aplicação da justiça. 

A fiscalização, ciente da nova tática, está sendo orientada a redobrar a atenção. Além das câmeras fixas, agentes de trânsito e policiais rodoviários têm inspecionado veículos em blitz, e placas com aparência anormal ou brilho excessivo podem ser motivo para abordagem e aplicação das penalidades.

Conclusão: O Barato que Pode Sair Muito Caro
A tentação de escapar de uma multa de velocidade pode levar o motorista a um caminho muito mais escorregadio e custoso. Enquanto uma infração por excesso de velocidade pode custar alguns pontos e uma multa, o uso do spray anti-radar coloca o condutor na mira de uma infração gravíssima e, potencialmente, de um processo criminal.

O alerta fica para os condutores: a busca por uma falsa impunidade no trânsito pode ter um preço altíssimo, medido não apenas em reais, mas em liberdade. A recomendação das autoridades continua sendo a única legal e segura: respeitar as leis de trânsito.

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