Hotelaria reage e leva Booking.com ao CADE após aumento de comissões

 

 Alexandre Sampaio, presidente da FBHA e membro do Conselho Nacional de Turismo e Jonel Chede Filho, Coordenador do G5 do Turismo Paraná e presidente do SEHA. 
Foto: Pierpaolo Nota



Ação liderada pela FBHA busca garantir equilíbrio nas relações entre plataformas digitais e meios de hospedagem e alerta para impactos sobre a competitividade do setor


 

     A hotelaria brasileira decidiu reagir ao aumento das comissões cobradas pela plataforma Booking.com e levou o caso ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A iniciativa está sendo liderada pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), entidade que representa nacionalmente os sindicatos patronais dos setores de hospedagem e alimentação, e conta com o apoio de entidades de todo o país.

 

O objetivo é analisar possíveis impactos concorrenciais decorrentes das mudanças implementadas pela plataforma, que elevaram os custos de comercialização para hotéis, pousadas e demais meios de hospedagem brasileiros.

 

Para o presidente da FBHA, Alexandre Sampaio, a discussão não é contra a tecnologia ou as plataformas digitais, mas sim em defesa de relações comerciais equilibradas e sustentáveis.

 

“Reconhecemos a importância das plataformas digitais para a distribuição dos produtos turísticos e para a comercialização da hotelaria. O que buscamos é garantir que essas relações ocorram de forma transparente, equilibrada e compatível com a realidade econômica dos empreendimentos. A sustentabilidade do setor depende de condições que permitam aos hotéis continuar investindo, gerando empregos e oferecendo serviços de qualidade aos seus clientes”, afirma Alexandre Sampaio.

 

A mobilização ganhou força após a repercussão das alterações nas políticas comerciais da plataforma, que impactaram especialmente pequenos e médios empreendimentos, mais dependentes dos canais digitais para a comercialização de suas hospedagens.

 

Para o presidente do SEHA – Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação e coordenador do G5 do Turismo do Paraná, Jonel Chede Filho, o debate ultrapassa a questão das comissões e envolve o futuro da competitividade da hotelaria nacional.

 

“Não somos contra as plataformas digitais. Elas desempenham um papel importante na comercialização do turismo mundial. O que defendemos é uma relação equilibrada, transparente e sustentável. Quando os custos aumentam de forma significativa, quem sofre é toda a cadeia produtiva do turismo, desde os empreendimentos até os trabalhadores e, em muitos casos, o próprio consumidor”, afirma.

 

Segundo Jonel, a concentração da distribuição turística em poucas plataformas globais exige atenção das autoridades e das entidades representativas do setor.

 

“Os hotéis enfrentam desafios diários relacionados à carga tributária, custos operacionais, qualificação profissional e investimentos constantes. Qualquer aumento relevante nos custos de comercialização impacta diretamente a rentabilidade dos empreendimentos e reduz a capacidade de investimento e geração de empregos. É legítimo que o setor busque esclarecimentos e que o CADE avalie os reflexos dessas práticas para o mercado”, destaca.

 

A preocupação não é exclusiva do Brasil. Nos últimos anos, a Booking.com também passou a enfrentar questionamentos regulatórios e ações judiciais em diversos países da Europa envolvendo práticas comerciais, políticas de comissionamento e regras de concorrência.

 

Para a FBHA, o debate é fundamental para preservar a saúde econômica de um dos segmentos que mais geram empregos e distribuem renda no país.

 

“O turismo é uma atividade estratégica para a economia brasileira. Defender condições justas para a hotelaria significa fortalecer investimentos, estimular a geração de empregos e garantir que o setor continue contribuindo para o desenvolvimento econômico dos municípios e estados brasileiros”, conclui Alexandre Sampaio.

 

O caso passa agora pela análise do CADE, que deverá avaliar os argumentos apresentados pelas entidades representativas da hotelaria e os possíveis impactos concorrenciais das práticas questionadas.

 



via assessoria

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