Paranaense cria IA que ajuda a localizar bens de devedores no Brasil


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Leonardo Botelho


Tecnologia que busca reduzir o trabalho de análise de centenas de registros na recuperação de crédito será apresentada na Fenalaw 2026


        O Brasil chegou a 9,2 milhões de empresas com contas em atraso e a um acumulado de R$ 238,6 bilhões em dívidas, segundo o último relatório da Serasa Experian. Entre os consumidores, o cenário também preocupa: 83,98 milhões de brasileiros estavam inadimplentes. Por trás desses números, existe um desafio que vai além da cobrança: como recuperar o dinheiro quando o devedor não paga?

Em muitos casos, a resposta depende de descobrir se a pessoa ou empresa possui imóveis, veículos, participações em negócios ou outros bens que possam ser utilizados para quitar a dívida. O problema é que essas informações estão espalhadas por diferentes registros e bases de dados, exigindo um trabalho de investigação que pode levar dias ou semanas.

E é justamente nessa busca que a inteligência artificial começa a ganhar espaço. Em vez de depender exclusivamente da leitura manual de centenas de documentos, profissionais passam a contar com ferramentas capazes de localizar, extrair e organizar informações para análise. A tecnologia não recupera o dinheiro sozinha, mas pode ajudar a identificar mais rapidamente quais bens merecem ser investigados.

Um exemplo é o projeto desenvolvido pela LEME Inteligência Forense, empresa especializada em investigação patrimonial. Segundo dados operacionais apresentados pela companhia em outubro, sua ferramenta de inteligência artificial já processou 462 mil matrículas imobiliárias desde o início do projeto-piloto em maio deste ano e permite o processamento de múltiplas matrículas simultaneamente. A tecnologia será apresentada na Fenalaw 2026, evento do mercado jurídico realizado de 27 a 29 de outubro.

A ferramenta ainda está em fase de testes com clientes selecionados. Seu funcionamento consiste em ler documentos imobiliários, extrair informações e organizá-las em campos estruturados, de acordo com critérios definidos pelos profissionais. O objetivo é reduzir o trabalho repetitivo e facilitar a identificação de registros que precisam de uma avaliação mais aprofundada.


Uma dívida pode levar a centenas de documentos

A dificuldade de recuperar um crédito nem sempre está em comprovar que existe uma dívida. Mesmo depois de uma decisão judicial favorável, o credor pode precisar localizar patrimônio e verificar se os bens encontrados podem ser utilizados para satisfazer o valor devido.

Uma das fontes dessa investigação é a matrícula imobiliária, documento que reúne o histórico de um imóvel, incluindo registros de propriedade, alterações e eventuais restrições. Dependendo do caso, uma única matrícula pode ultrapassar mil páginas.

Em uma investigação recente de recuperação de crédito, a LEME Forense identificou mais de 600 matrículas vinculadas a um devedor. A equipe precisou examinar os documentos para compreender as características dos bens e verificar quais informações poderiam contribuir para o andamento do trabalho.

Segundo Leonardo Botelho Schulka, Head Jurídico e de Investigação da LEME Forense, um analista consegue avaliar, em média, cerca de 20 matrículas por dia, dependendo da extensão e da complexidade dos registros.


Leonardo Botelho Schulka, Head Jurídico e de Investigação da LEME Forense

O desafio não é apenas encontrar um imóvel, mas compreender sua situação. Um documento pode apresentar inicialmente um terreno vazio e, páginas depois, registrar uma construção que altera seu valor. Também pode revelar restrições que dificultam o uso do patrimônio para quitar uma dívida.

É nesse tipo de tarefa que a inteligência artificial está sendo implementada. A ferramenta da LEME extrai informações dos documentos e preenche campos de análise, permitindo que o profissional concentre sua atenção nos registros que exigem maior investigação.

A aplicação, porém, ainda tem limitações. “Documentos antigos, imagens de baixa qualidade e informações mal digitalizadas podem gerar erros de leitura. Por isso, os dados precisam ser conferidos nos registros originais, e a interpretação jurídica continua sob responsabilidade dos profissionais”, diz o Head da LEME.

A inteligência artificial funciona dentro do SONAR, plataforma de inteligência forense utilizada para reunir e cruzar informações sobre pessoas, empresas, vínculos societários e patrimônio. Chamada de Busca de Imóveis, a ferramenta otimiza de 67% a 75% o tempo de execução em um projeto de coleta de dados. 

Schulka explica que determinadas etapas de levantamento e consolidação de dados, que antes exigiam de três a quatro dias de trabalho, passaram a ser concluídas em aproximadamente um dia com o uso combinado de ferramentas especializadas e automações.

“Contudo, sem critérios claros, as ferramentas podem gerar um volume de informações maior do que a capacidade de análise dos profissionais. Por isso, a união de redução do trabalho manual através de automações com a expertise dos analistas, fazem com que aí sim consigamos resultados mais assertivos para nossos clientes”, explica Leonardo.

IA no Direito: mais velocidade significa melhores resultados?

No dia 28 de outubro, das 14h às 14h20, Leonardo Botelho Schulka participará da palestra “A IA realmente gera resultado no jurídico ou apenas acelera tarefas?”, ao lado de Thiago Tetsuo Nishimura, diretor do Núcleo de Recuperação de Créditos da Vialle Advogados Associados.

O encontro, na sala IA Gen, Agentes & Automação: Execução, Pessoas & ROI, abordará aplicações práticas da inteligência artificial, dificuldades de implementação e a necessidade de medir os resultados obtidos pelos escritórios.

Entre os temas estão o risco de erros de interpretação, a utilização de ferramentas sem processos definidos, a qualidade dos comandos enviados aos sistemas e a importância da supervisão humana.

A experiência com as matrículas imobiliárias será um dos exemplos apresentados. O projeto demonstra como a tecnologia pode apoiar tarefas de leitura e classificação de documentos, mas também evidencia a distância entre organizar informações e tomar decisões sobre a recuperação de um crédito.

Compliance também entra na pauta da Fenalaw

A participação da LEME no evento terá ainda uma segunda frente: a ampliação dos serviços que escritórios de advocacia podem oferecer às empresas na área de compliance.

No dia 27 de outubro, às 11h40, Valdo Silveira, CEO da LEME Inteligência Forense, e Felipe Bezerra da Silva, CEO da +Compliance, apresentarão a palestra “Canal de denúncias, gestão de riscos e treinamentos: a oportunidade milionária que muitos escritórios ainda ignoram”, na Sala Fenatalks.

A discussão abordará a possibilidade de escritórios atuarem de forma recorrente na estruturação de canais de denúncias, no treinamento de funcionários, na prevenção de irregularidades e na gestão de riscos.

Segundo Felipe, essas atividades podem ser organizadas em contratos anuais, com entregas periódicas, criando uma alternativa aos serviços jurídicos contratados apenas quando surge um problema específico.

A LEME também apresentará o Farol de Integridade, ferramenta voltada à organização de processos de compliance. Entre suas funções estão canais de denúncias, gestão de riscos e treinamentos sobre compliance.

Durante os três dias da Fenalaw, a LEME também terá um estande para receber profissionais do setor jurídico. A programação inclui happy hour a partir das 18h30 e distribuição de brindes, entre eles Kindle e iPhone 17.

 

Serviço 

Evento: Fenalaw 2026
Data: 27 a 29 de outubro de 2026

27 de outubro — 11h40 | Sala Fenatalks

Palestra: Canal de denúncias, gestão de riscos e treinamentos: a oportunidade milionária que muitos escritórios ainda ignoram

Participantes: Valdo Silveira, CEO da LEME Inteligência Forense, e Felipe Bezerra da Silva, CEO da +Compliance.

Tema: oportunidades para escritórios de advocacia na prestação recorrente de serviços de compliance, gestão de riscos, treinamentos e canais de denúncias.

28 de outubro — 14h às 14h20 | Sala IA Gen, Agentes & Automação: Execução, Pessoas & ROI

Palestra: A IA realmente gera resultado no jurídico ou apenas acelera tarefas?

Participantes: Leonardo Botelho Schulka, Head Jurídico e de Investigação da LEME Inteligência Forense, e Thiago Tetsuo Nishimura, diretor do Núcleo de Recuperação de Créditos da Vialle Advogados Associados.

Tema: uso da inteligência artificial no trabalho jurídico, investigação patrimonial, produtividade, interpretação de dados e avaliação de resultados.

Mais informações: www.lemeforense.com.br

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